Cerca de 14 milhões de brasileiros trabalham hoje em escala 6×1 — e, na noite de 27 de maio, a Câmara dos Deputados aprovou em dois turnos a PEC do fim da escala 6×1. Ou seja, o cenário mudou de patamar: saiu do campo da especulação e virou texto aprovado, agora a caminho do Senado. Diante disso, a pergunta que importa para quem gerencia pessoas deixou de ser “se” ou “quando” e passou a ser outra: o que o seu RH pode fazer agora para chegar pronto, qualquer que seja o desfecho no Senado? Este artigo traz o cenário atualizado e uma posição clara — sem alarmismo e sem ruído.
Resposta direta: a escala 6×1 ainda não acabou — a regra de 44 horas semanais continua valendo até a promulgação. Dito isso, vale registrar o que de fato já aconteceu. Na quarta-feira, 27 de maio, a Câmara dos Deputados concluiu a votação da PEC que proíbe a escala 6×1 e reduz a jornada constitucional de 44 para 40 horas semanais. Foram dois turnos com ampla maioria — 472 votos a 22 no primeiro e 461 a 19 no segundo. Em seguida, o texto foi encaminhado ao Senado Federal.
A versão aprovada não é, contudo, a mais ambiciosa que esteve em debate. Trata-se do relatório do deputado Léo Prates (Republicanos-BA), relator da matéria, que absorveu o espírito do projeto do governo: 40 horas semanais, fim da escala 6×1, proibição expressa de redução salarial e transição em etapas. Em outras palavras, o Congresso caminhou para o cenário intermediário — mais firme que o status quo, porém mais brando que as propostas de 36 horas ou 4×3.
O ponto que não pode passar despercebido: apesar da aprovação na Câmara, nada mudou ainda na prática. A PEC precisa passar por dois turnos de votação no Senado e, só depois, ser promulgada. Até lá, a regra atual continua valendo — 44 horas semanais e a escala 6×1 permanece permitida. Portanto, o alerta aqui não é para mudança imediata. É para preparação.
No Senado, a tramitação depende do presidente da Casa, Davi Alcolumbre (União Brasil-AP), que sinalizou dar um rito “normal” à proposta — ou seja, sem comissão especial, passando pela Comissão de Constituição e Justiça (CCJ) e, possivelmente, pela Comissão de Assuntos Econômicos (CAE). Além disso, há um feriado no calendário que pode empurrar o início da análise. Some-se a isso a pressão do setor patronal, que tem pedido cautela, e uma oposição dividida sobre como reagir. Dessa forma, o desenho de prazos ainda é incerto — e isso, para o RH, significa tempo precioso para se organizar.
Em resumo, o texto aprovado pela Câmara reduz a jornada de 44 para 40 horas semanais, proíbe a escala 6×1, garante no mínimo duas folgas por semana e impede a redução de salário. O que tornou o debate confuso ao longo dos meses é que existia mais de uma proposta em jogo — e cada uma mudava a operação de um jeito diferente. Agora que a Câmara decidiu, fica mais fácil enxergar onde o texto aprovado se posiciona em relação às alternativas que circularam.
| Ponto | Texto aprovado na Câmara | PL 1.838/2026 (Governo) | PEC 221/2019 (Lopes) | PEC 8/2025 (Hilton) |
|---|---|---|---|---|
| Jornada semanal final | 40 horas | 40 horas | 36 horas | 36 horas |
| Modelo de escala | 2 folgas semanais (uma no domingo) | 5×2 | Não detalha | 4×3 |
| Fim da escala 6×1 | Sim, em até 60 dias | Sim | Sim | Sim, imediato |
| Transição | 42h em 60 dias; 40h em 14 meses | Sem prazo definido | Gradual, 10 anos | Até 360 dias |
| Redução salarial | Proibida | Proibida | Não trata | Não trata |
Na prática, o texto aprovado funciona assim: após a promulgação, sindicatos e empresas terão 60 dias para adequar convenções e acordos coletivos. Nesse marco, a escala 6×1 acaba e a jornada cai de 44 para 42 horas semanais. Depois, 14 meses após a promulgação, a carga desce de 42 para 40 horas, concluindo a redução. O salário, por sua vez, não pode ser reduzido em nenhuma das etapas. Por fim, categorias com regimes especiais — como saúde e setor aéreo — e os pequenos negócios (MEIs, micro e pequenas empresas) terão tratamento próprio por leis complementares.
💡 O que isso significa para a simulação do seu RH: o cenário que vale modelar primeiro é justamente o do texto aprovado — 40 horas, duas folgas semanais e a transição de 42h para 40h. De fato, é esse o desenho mais provável de se concretizar, e simular a partir dele dá vantagem real de planejamento.
Um dado que tem passado despercebido: o apoio popular ao fim da 6×1 vem perdendo fôlego ao longo do ciclo. Por exemplo, a Quaest registrou queda de 72% para 68% entre dezembro de 2025 e maio de 2026. O Datafolha, por sua vez, caiu de 71% para 64% no mesmo período. Já a AtlasIntel mediu 59,4% em abril. E, quando a pergunta menciona a possibilidade de redução salarial, o apoio recua para 56%.
A leitura sobre esse movimento é interessante: a sociedade não está rejeitando o debate sobre qualidade de vida, mas começando a fazer a pergunta certa — quem paga essa conta e como os serviços vão funcionar? Além disso, isso importa para o RH porque afeta a temperatura política da votação no Senado. Em outras palavras, um apoio popular menor dá mais espaço para negociar transições mais longas e reduz a pressão sobre parlamentares de centro. Não significa que a mudança não virá. Significa que ela tende a vir de forma mais negociada — e, de novo, isso é tempo para se preparar.
Comércio, alimentação, saúde e logística sentem primeiro; indústria e serviços administrativos têm mais fôlego para se adaptar. Isso porque os impactos não chegam de forma uniforme. De fato, alguns setores sentem antes e mais forte, enquanto outros já operam perto do novo modelo. A seguir, o mapa de exposição por perfil de operação — clique em cada setor para ver o foco prático do RH.
Modelo 6×1 dominante, funcionamento de sete dias e alta dependência de cobertura presencial. Além disso, a CNC projeta aumento expressivo na folha para o setor.
Foco do RH: revisar o dimensionamento de equipe para os fins de semana e, assim, desenhar escalas por turnos que mantenham a loja coberta com duas folgas semanais.
Turnos longos, sazonalidade forte e margens estreitas. É, inclusive, o setor mais barulhento contra a mudança.
Foco do RH: mapear picos e vales de demanda para, então, montar escalas 5×2 sem perder cobertura nos horários de maior movimento.
Operação 24/7 que não pode parar. Exige, portanto, redesenho profundo de escalas e revezamentos auditáveis.
Foco do RH: redesenhar plantões e revezamentos com registro auditável e, além disso, acompanhar as regras de categoria que ainda serão definidas por lei complementar.
Janelas operacionais rígidas. Reduzir jornada sem ampliar quadro pressiona, assim, prazos contratuais.
Foco do RH: simular o quadro extra necessário para, dessa forma, manter as janelas operacionais sem estourar o teto de horas extras.
Boa parte do setor já opera em 5×2. Ainda assim, atenção redobrada à gestão de banco de horas e jornada híbrida, que têm armadilhas próprias.
Foco do RH: revisar o saldo do banco de horas e, também, os acordos de compensação já vigentes antes que a transição comece.
Majoritariamente já em 40 horas. Por outro lado, o foco se desloca para banco de horas e modelos híbridos bem controlados.
Foco do RH: formalizar e auditar o modelo híbrido para, assim, evitar a jornada “invisível” do home office fora do registro de ponto.
Sobre o custo, vale registrar a divergência dos estudos. A CNC fala em repasse de preços de até 13%. A CNI, por outro lado, calcula 6,2% em média. Já Ipea e Unicamp estimam impacto inflacionário limitado e até possível geração líquida de empregos. A verdade operacional para a sua empresa, contudo, vai depender muito mais do seu modelo atual de escalas do que dos cenários macro. Por isso, o próximo bloco.
Vale parar um momento aqui para apontar uma coisa que não está nas manchetes. Em primeiro lugar, o que está em jogo não é só o fim da 6×1. É, na verdade, o redesenho silencioso da gestão de tempo no Brasil.
Mesmo que o Senado abrande ainda mais o texto — ou que a votação se arraste — o ambiente de fiscalização tende a endurecer. Além disso, as convenções coletivas vão se mover. Da mesma forma, os colaboradores vão começar a pedir mais clareza sobre as próprias jornadas. E o RH que chega nesse momento com banco de horas controlado, escalas auditáveis e um sistema de ponto que conversa com o eSocial e a Portaria 671 não tem o que temer. Quem chega no improviso, por outro lado, descobre o custo real do passivo trabalhista que estava escondido na operação.
Não é sobre torcer pelo lado certo do debate. É, sobretudo, sobre colocar a sua empresa numa posição em que a decisão do Congresso vire detalhe, não emergência.
Sem mexer em contratos. Sem comunicar nada aos colaboradores. Ou seja, apenas para chegar pronto, enquanto o texto tramita no Senado.
Quanto a empresa tem acumulado? Em que prazo precisa ser compensado? E quais cláusulas dos acordos coletivos regem isso? Numa eventual redução de jornada, o banco de horas vira o primeiro foco de risco trabalhista. Por isso, é o ponto de partida.
Em primeiro lugar, liste cargos, setores, número de pessoas e a justificativa operacional de cada caso. Esse mapa, em seguida, vira a base de simulação para qualquer cenário — 5×2, jornada reduzida ou escalas alternadas.
Se a 6×1 atual virasse 5×2 amanhã, quanto a mais de pessoal seria necessário? Quanto de hora extra cairia ou subiria? Esse cálculo, feito agora, dá poder de negociação com a operação e com a liderança. Aliás, é exatamente o cenário aprovado pela Câmara — então é o mais urgente de modelar.
Geração de AFD, fiel reflexo das marcações, ICP-Brasil quando aplicável e registros íntegros. Afinal, se a jornada vai ficar mais complexa, o ponto precisa estar sem ressalvas. É a base de tudo.
Independentemente do que o Senado decidir, os sindicatos vão reagir rápido — e o próprio texto aprovado prevê 60 dias para adequar as convenções após a promulgação. Vale, portanto, colocar um lembrete para revisar a convenção coletiva a cada 30 dias até o fim de 2026. É lá que muitas escalas serão, de fato, redesenhadas.
Ainda não. A Câmara aprovou a PEC do fim da escala 6×1 em 27 de maio de 2026 e enviou o texto ao Senado. Além disso, para virar lei, ela precisa passar por dois turnos no Senado e ser promulgada. Até lá, a escala 6×1 continua permitida.
Se a PEC for promulgada, a escala 6×1 acaba 60 dias depois, junto com a redução da jornada para 42 horas semanais. Em seguida, as 40 horas finais passam a valer 14 meses após a promulgação.
Não. A redução acontece em duas etapas: de 44 para 42 horas em 60 dias após a promulgação e, em seguida, de 42 para 40 horas em 14 meses.
Não. De fato, o texto aprovado proíbe expressamente a redução de salário durante toda a transição.
No mínimo duas folgas semanais, sendo uma preferencialmente no domingo.
Em primeiro lugar, auditando o banco de horas, mapeando quem está em escala 6×1, simulando o custo do modelo 5×2 e confirmando que o controle de ponto está 100% conforme a Portaria 671.
A votação no Senado ainda vai acontecer, e o texto pode mudar. Mas o RH que usar esse intervalo para auditar banco de horas, mapear escalas e blindar o controle de ponto chega no dia da decisão com a casa em ordem. Em síntese, preparação agora é o que separa um ajuste tranquilo de uma corrida contra o relógio.
A Pontua tem feito diagnósticos gratuitos de jornada para empresas que querem entender como sua operação reage nos cenários de 5×2 e redução para 40 horas.
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